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Arthur Virgílio Neto

Mais um naufrágio
Alguém disse, diante do enésimo naufrágio ocorrido nos rios amazônicos, que é quase impossível evitar esses acidentes. Quando o barco A. Nunes foi a pique, tornou-se o quinto deste ano, juntando-se a outros 32 do ano passado. Mais duas vidas se perderam.
O barco navegava, saindo de Manaus, rumo a Tefé, sem excesso de carga, abaixo do limite de passageiros e com equipamentos de segurança. Naufragou porque bateu num tronco, em noite escura, mesmo tendo tripulação experiente.
Troncos são atirados pelo fenômeno da terra caída, que existe em todos os rios de águas barrentas, como Solimões, Madeira, Juruá e Amazonas. Toras se soltam das grandes jangadas utilizadas pelas serrarias para transportar madeira. Perdem-se entre as ondas e muitas vezes o comandante ou prático só consegue vê-las quando é tarde demais.
O naufrágio do A. Nunes mostra que não basta a Capitania dos Portos ser diligente, na fiscalização do número de passageiros e volume da carga. Tampouco quanto aos equipamentos de segurança ou mesmo no que se refere à habilitação da tripulação. Algo precisa ser feito também quanto a essas toras.
Sabemos que, devido às leis ambientais, que tornam raras certas espécimes, as madeireiras cuidam melhor de suas jangadas. Resta montar postos de fiscalização, nas margens dos rios, para que os troncos atirados pela terra caída sejam removidos.
Está mais que na hora de a navegação fluvial ter a atenção que merece. Afinal, é por ela que trafega toda a carga que abastece o interior e quase toda da capital, além de praticamente todo o movimento interno de passageiros.
Lembremos que uma passagem, ida e volta, entre Manaus e Parintins, está custando perto de R$ 1 mil. Com as promoções, cada vez mais frequentes, isso significa preço mais caro que o bilhete no trecho Manaus-São Paulo. Ou seja, a pressão sobre o transporte fluvial tende a aumentar.
Ou se organiza, estrutura e dedica o devido respeito ao transporte fluvial ou outros A. Nunes irão naufragar, levando consigo outras vidas. Ninguém pode se acobertar sob um “é quase impossível evitar” para não fazer nada. Isso precisa parar.

* Arthur Virgílio Neto é líder do PSDB no Senado.

Comentários

  1. Senador não seria a hora de colocar uma fiscalização mais intensa nessas ruas amazonicas, assim como é colocado nas rodovias federais.

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