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quarta-feira, outubro 19, 2016

Após nove meses do incêndio que abalou Santarém loja fim do Mundo reabre as portas.

"Fé move montanhas e reconstruiu a Fim do Mundo", diz proprietário.
Exemplo de superação, dono da loja 'Fim do Mundo' reabre após incêndio
Nove meses após a tragédia, loja volta a receber clientes.


Nove meses após incêndio, loja Fim do Mundo reabre as portas para o público (Foto: Weldon Luciano/G1)

Nove meses após o incêndio, a Loja "Fim do Mundo", localizada no centro comercial de Santarém, oeste do Pará, reabriuas portas para o público. Reconstruído de acordo com as normas de segurança e combate a incêndio espaço aos poucos vai retomando as atividades normais apagando as marcas da tragédia. (O G1 esteve no local no dia do incêndio; confira a galeria de fotos)

O G1 conversou com o proprietário da loja, Carlos Evandro, que lembrou de fatos daquele fatídico dia. Como um exemplo de superação, contou em detalhes os desafios do recomeço.
Incêndio atingiu a loja no centro de Santarém por volta de 5h30 (Foto: Reprodução/TV Tapajós)
A fé move montanhas e ela reconstruiu a Fim do Mundo”
Carlos Evandro, proprietário da Loja

Superação

Diante do estabelecimento destruído e do estoque totalmente consumido pelas chamas, o desafio de recomeçar o empreendimento era grande, mas não abalou o proprietário. Católico da renovação Carismática, ele se apegou a fé e a determinação para seguir em frente e superar as adversidades.

“Eu sabia que eu ia conseguir porque sei que Deus não abandona os seus. Mas, eu sabia que tinha que trabalhar dobrado e da mesma forma que o fato aconteceu e eu perdi tudo, eu deveria lutar para reconquistar tudo de volta. A gente só consegue se reerguer quando esquece o que passou e passa a olhar para frente. O passado tem que ficar para trás e o que move de fato o ser humano é a renovação”.
Carlos Evandro, proprietário da Loja ao lado de um
funcionário (Foto: Weldon Luciano/G1)

Segundo Carlos, muitas pessoas se solidarizaram com o que aconteceu ele conta que sempre recebeu apoio dos amigos, familiares, colegas comerciantes e até mesmo de pessoas desconhecidas que passavam na frente da loja ou o encontravam na rua. Foram palavras amigas e orações que deram mais força.

“Você tem que acreditar em alguma coisa e eu, particularmente, acredito em Deus. Um homem sem Deus é um cara vazio. Uma vez, um rapaz me perguntou de onde vinha tanta força e disse a ele que como um bom santareno, eu aprendi a lutar. E e se for pra morrer, tem que ser trabalhando. Muitos como ele me procuravam para dar uma palavra amiga e eu sempre pedia que rezassem por mim e que ia dar tudo certo. A fé move montanhas e ela reconstruiu a Fim do Mundo”.

Enquanto a loja permaneceu fechada para a reconstrução, Carlos procurou manter as vendas em outra loja que possui. Muitos clientes continuaram comprando mercadorias por encomenda e aos poucos os fornecedores foram renovando o estoque para abastecer os pedidos.


Lembranças do incêndio

O incêndio começou por volta 5h. 70 militares do Corpo de Bombeiros trabalharam cerca de 3 horas para controlar as chamas evitando que elas se espalhassem para estabelecimentos vizinhos. O combate ao incêndio contou com seis viaturas dos Bombeiros, sendo quatro do quartel militar da cidade e duas cedidas pela da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que ficam no aeroporto Maestro Wilson Fonseca. Foram utilizados 142 mil litros de água na ação.

“Fui avisado pela empresa de alarmes e cheguei na loja por volta das 5h15 da manhã. Quando cheguei aqui e abri a porta, me deparei com um fogo em larga escala e não tinha mais o que fazer a não ser, esperar pelo Corpo de Bombeiros. Naquela hora, pedi para Deus para me dar paz e tranquilidade, pois a situação tinha fugido das minhas mãos”, relembra Carlos Evandro.

O fogo consumiu grande parte dos produtos, como panelas, pratos, copos e garrafas térmicas. Destruiu prateleiras, paredes, o teto e as portas de rolo. Alguns produtos causaram pequenas explosões. “Infelizmente, o fogo se alastrou muito rápido e apesar de tudo isso ele não se alastrou para as lojas vizinhas, ninguém morreu e não destruiu o quarteirão inteiro”.

Segundo o proprietário, o trabalho do Corpo de Bombeiros foi essencial para controlar as chamas e evitar uma tragédia ainda maior. Porém, ele avalia que o aparato do órgão da cidade ainda é limitado para situações de grandes proporções. “Os militares do Corpo de Bombeiros fizeram o trabalho que estava no alcance deles. Foi feito tudo o que era possível”.
Bombeiros levaram cerca de 3 horas para controlar as chamas. (Foto: Andressa Azevedo/G1)

Reconstrução e normas de segurança
A loja Fim do Mundo, possui entrada pelas Avenidas Tapajós e 24 de outubro em um galpão de 24 de largura por 50 metros de cumprimento que foi reconstruído após o incêndio. “Reconstruímos tudo. Do chão ao teto foi tudo refeito e o estoque foi todo perdido, pois o que não foi queimado, acabou sendo inutilizado pela fumaça".

De forma repentina e avassaladora, um patrimônio que levou uma vida para ser construído pode ser destruído em minutos e nem sempre os aparatos de prevenção podem ser 100% eficazes. “Dizer que a loja atende todas as normas de segurança acaba sendo muito relativo. Vi empresas com todo aparato possível de combate a incêndio e acabou sofrendo com o problema. A maioria dos incêndios acontecem a noite, quando não há ninguém para contê-los. Quando acontece de manhã, exceto os casos de explosão, ao menor sinal de fumaça ou fogo, todos correm para alertar e apagar”.
Loja fim do mundo foi reconstruida de acordo com a exigências de segurança do Corpo de Bombeiros (Foto: Weldon Luciano/G1)

Para Carlos, o problema dos incêndios no centro comercial é algo sério e que ainda não teve a devida atenção, principalmente do poder público para executar políticas de segurança. “Falta muita coisa. Estamos em uma cidade na frente de um rio e não temos hidrantes, o que é inconcebível. Acredito que o poder público pode olhar para o centro comercial com mais carinho. As lojas podem fazer os mais altos investimentos em segurança, mas senão tiver apoio do poder público não vai adiantar”.

Segundo o proprietário, a intensidade das chamas acabou prejudicando as investigações e não houve uma real conclusão do que teria provocado o incêndio, mas Carlos tem certeza de que está relacionado com a questão elétrica. Ele faz críticas à qualidade do fornecimento na região e alega que mesmo com um sistema elétrico modernos as oscilações ainda preocupam.

“Nosso maior problema é elétrico. As diversas oscilações que sofremos acabam prejudicando e, para se ter uma ideia, mesmo com todo a parte elétrica nova, sofremos com lâmpadas queimadas. Para evitar este tipo de coisa, passou a ser norma da empresa desligar a chave geral da empresa. O sistema de segurança é alimentado por baterias que não tem ligação direta com a rede elétrica

Atendendo a todas as exigências do Corpo de Bombeiros, por toda loja estão sendo instalados extintores.
Nome da loja surgiu de uma brincadeira
com fornecedores (Foto: Weldon Luciano/G1)

Origem do nome inusitado

O estabelecimento está no mercado há 20 anos, possui aproximadamente 20 funcionários e tem mais de 17 mil itens à disposição para atender variados públicos. São ferramentas, expositores, materiais de construção e outros produtos para atender variadas necessidades domesticas e de comércios.

Sobre o nome inusitado, o proprietário explica que foi uma brincadeira dos fornecedores que batizaram desta forma, em alusão a distância da cidade em relação aos centros de distribuição das mercadorias. “Tínhamos muita dificuldade para receber mercadorias de São Paulo, que demoravam 30 a 40 dias para chegarem. Muitos deles brincavam dizendo que estávamos no fim do mundo e aí a expressão acabou ficando. Hoje ela já é patenteada”.


Do G1 Santarém

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