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SÍMBOLO FORTE

*ARTHUR VIRGÍLIO

Lisboa – Semana passada, falamos de drogas aqui neste espaço. Abordei a vulgarização do crack e do oxe, que viciam, já nas primeiras experiências, os que deles se aproximam. E preguei a necessidade, urgente-urgentíssima de se colocar em prática uma política nacional de enfrentamento a essa verdadeira epidemia.

Essa política, a meu ver, deveria ser liderada pelo governo central, com a participação dos estados, das prefeituras, do aparato do Judiciário e, sem dúvida, do terceiro setor. Nada mais urgente do que isso, porque o Brasil corre o sério risco de se mexicanizar e perder a batalha contra o crime organizado, contra a máfia dos traficantes de drogas, armas e seres humanos. No fundo, aliás, dá para se dizer que nem todo mundo que trafica drogas trafica armas e pessoas; dá para se dizer que nem todo mundo que trafica pessoas, trafica armas, porém dá para dizer que, muito dificilmente, os traficantes de armas e pessoas não haveriam de ser, também, traficantes de drogas.

Temos fronteiras enormes, escancaradas, veias abertas por onde circula o mal, apesar do valor e da coragem da Polícia Federal e do Exército brasileiro. Outro dia, vi, na Globonews, um Procurador de Justiça italiana declarar que nosso país, hoje, é verdadeira agência reguladora dos preços internacionais da cocaína, até porque passagem obrigatória de grande parte desse "produto". Isso é de dar muita tristeza mesmo.

Pois abro os jornais e leio que número expressivo de manifestantes protestou, em frente ao Congresso Nacional, contra a expansão do mercado do crack. Colocaram 513 pedras, cada uma delas simbolizando um deputado federal, cobrando energicamente exatamente o que me salta aos olhos da face: uma política nacional de combate às drogas.

Ou seja, não dá mais para adiar.


*Diplomata escreve semanalmente neste blog

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