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A situação política de Jucá se torna insustentável.


É insustentável manter Jucá no Planejamento
Diálogo sugere trama para derrubar Dilma e abafar Lava Jato39

A reportagem de hoje da “Folha de S.Paulo” sobre um diálogo entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado é uma bomba que explode no início da segunda semana do governo Temer. A situação política de Jucá se torna insustentável.

Dificilmente, o presidente interino, Michel Temer, terá condição de mantê-lo no cargo. Na conversa, fica claro que Jucá considerava importante tirar a presidente Dilma Rousseff do poder para que uma tentativa de abafar a Lava Jato tivesse alguma chance de sucesso.

Na conversa, gravada antes da queda de Dilma, Jucá inclui ainda dirigentes do PSDB como pessoas que estariam cientes de que a saída deveria ser essa, a de um pacto contra a Lava Jato, ao usar a expressão “a ficha caiu” para se referir a caciques tucanos.

Ou seja, deixar Jucá no ministério reforçará a versão de que o novo governo nasceu de uma trama para tirar Dilma e tentar barrar o avanço da Lava Jato. Se mantiver Jucá no posto, Temer sofrerá desgaste inevitável.

Em entrevista à CBN, o ministro do Planejamento disse que falava de economia e negou tentativa de melar a Lava Jato. O advogado de Jucá, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que não há ilegalidade no diálogo. No entanto, a conversa lembra muito a gravação feita por Bernardo Cerveró com o então senador Delcídio do Amaral, que hoje está cassado. Sugere uma articulação para obstrução de Justiça.

Sérgio Machado faz perguntas que buscam comprometer o interlocutor. Parece uma armadilha. E Jucá cai. Repete fala semelhante à de Delcídio, a de que teria conversado com ministros do Supremo. São frases mortais politicamente.

Esse episódio mostra que é uma ficção tentar controlar a Lava Jato. Quem entra nessa só se enrola mais. A operação chegou a um ponto em que um pacto, como o sugerido por Jucá, não se sustenta. Tanto que hoje está na praça mais uma fase da Lava Jato.

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Respostas na política e na economia

Essa reportagem vai tirar energia do governo na largada. A partir desta semana, Temer planejava começar a apresentar medidas concretas na política e na economia. O governo precisa dar respostas urgentes a problemas reais. Começar a semana com um ministro na fogueira pode atrapalhar essas respostas.

Na política, a intenção é votar medidas provisórias importantes e a alterar a meta fiscal, que prevê agora um deficit de R$ 170,5 bilhões. Também estão previstas medidas para melhorar o caixa do governo e combater essa previsão de déficit, que foi o cenário mais pessimista traçado pelo governo. A gestão Temer resolveu deixar uma gordura de R$ 15 bi a R$ 20 bi para usar em negociação sobre a dívida dos Estados.

Ou seja, a ideia do governo seria mostrar que o Congresso voltou a funcionar e anunciar amanhã medidas concretas na área econômica. Um ministro do Planejamento em apuros traz complicadores ao começo do novo governo.


KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

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