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sexta-feira, dezembro 27, 2013

A “DESINDUSTRIALIZAÇÃO”

Artigo
Deputado Marcelo Ramos.


Economista gosta de falar difícil, adora um termo técnico e um neologismo. Isso não ajuda em nada a compreensão dos graves problemas econômicos nacionais por grande parcela da nossa sociedade, pelo contrário, só afasta as pessoas do debate.

A nova palavra da moda é “desindustrialização”. São colunas e mais colunas, comentários e mais comentários, editoriais e mais editoriais para declarar que estamos à beira do caos econômico, que nossa indústria está desaparecendo e que o governo nada faz para defendê-la.

Primeiro precisamos conceituar esse termo “desindustrialização”. Se “desindustrializar” é redução da atividade econômica do setor industrial, não é verdade que o Brasil esteja se “desindustrializando”. Podemos falar que um país entra em “desindustrialização” quando, tanto o emprego industrial, como o valor adicionado da indústria, se reduzem como proporção do emprego total e do PIB, respectivamente. Isso não quer dizer que a indústria esteja “acabando” no país, mas que o seu peso, em comparação com outros ramos da atividade econômica esteja reduzindo. É possível que haja um crescimento industrial e mesmo assim o setor industrial esteja perdendo importância, pelo crescimento maior dos outros setores. Por exemplo, em um determinado período, a área industrial (incluindo a indústria de transformação) pode ter crescido 5%, mas o setor de serviços cresceu 8% e a Agropecuária cresceu 6%. Houve uma redução da atividade industrial? É lógico que não. Mesmo assim a indústria perdeu peso na economia do país, pois cresceu menos que as demais atividades.

Acrescente-se que a redução do peso da indústria no PIB, por si só, não siginifica, necessariamente, algo desastroso para uma sociedade. Muitos países passaram por esse processo e nem por isso empobreceram. Pelo contrário, possuem um parque industrial diversificado e, principalmente, articulado, repleto de sedes de multinacionais, geradoras de tecnologia de ponta, com uma população de elevado nível de educação e renda.

No Brasil, no início da década de 50, a indústria de transformação correspondia a, aproximadamente, 11% do PIB. Em 2010 representava mais de 15%. É bem verdade que em meados dos anos 80 chegou a 27% e, de lá para cá, vem em um processo de queda.

E quais seriam os motivos para essa “tendência” no Brasil? Ora, o que temos visto ao longo dos últimos anos. Uma combinação nefasta de juros extratosféricos (na década de 90, leia-se Governo FHC, a Taxa Selic chegou a inimagináveis 61%) e câmbio sobrevalorizado.

Mas não só isso. Inclua-se nesta lista nossos problemas históricos como: Estrutura tributária ineficiente; Burocracia estranguladora; Graves problemas de Infraestrutura; Educação de baixa qualidade; e Mão-de-obra com baixa qualificação.

Bem, isso é tema para um livro …





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