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Bangu 8 é, agora, presídio Vip do Rio de Janeiro






A movimentação começa cedo. Antes das 9h, o desfile de mulheres de sapatos de saltos altos toma conta da entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona O Leste do Rio. Toyotas, Mitsubishis, Hondas, Citroëns e até um carro oficial da Assembléia Legislativa do Rio, todos com vidros escuros, trazem as visitantes, carregadas de sacolas e bolsas térmicas com comida. "É um pessoal muito educado", comentava, anteontem, o cabo Faria, após checar a identificação de Rafaella Cacciola, filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, acusado de crimes financeiros contra o País.

O frenesi em frente ao complexo aumentou nas duas últimas semanas, principalmente às segundas e sextas, dias de visita em Bangu 8, como é mais conhecida a Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira, uma das 23 do complexo de segurança máxima. Ela virou a prisão mais VIP do Rio.

O título se justifica pela lista de presos célebres. Além de Cacciola, estão lá o médico Joaquim Ribeiro Filho, acusado de manipular a fila da espera por transplante de fígado; o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerominho (PMDB); o ex-chefe da Polícia Civil Ricardo Hallack; o inspetor da Polícia Civil Odnei Fernando da Silva (acusado de comandar a milícia que torturou jornalistas de O Dia); e outros.

"Só tem sangue bom no 8", brinca um agente penitenciário que dá plantão no Presídio Moniz Sodré, no mesmo complexo। A gíria resume o poderio concentrado em Bangu 8. Até janeiro, a prisão era privilégio de policiais, bombeiros e agentes penitenciários que respondessem a processos. Mas o governador Sérgio Cabral mandou isso।

Fábio Motta/AE



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