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terça-feira, janeiro 24, 2017

Fim de semana mais violento da história do Pará

O Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) fechou ontem os dados do fim de semana mais violento da história do Pará. 61 mortes violentas foram registradas de sexta-feira (20) à meia-noite de domingo (22). Desse total, foram contabilizados 56 homicídios - 35 na Grande Belém -, 2 roubos seguidos de morte e 3 mortes por intervenção policial.  

Maria Pantoja mostra a foto do filho Erisnaldo e cápsulas de bala recolhidas por parentes no local do assassinato do rapaz (Foto: Ney Marcondes)

O registro de execuções em diversos bairros de Belém desde o assassinato do soldado da Polícia Militar, Rafael da Silva Costa, 29 anos, na última sexta-feira (20), só aumentou o medo de grande parte da população. Moradora do bairro Curió-Utinga, a doméstica Socorro Barbosa, 53 anos, relata a aflição que a atinge todos os dias. Nem o fato de ser vizinha do conjunto onde mora o Governador do Estado, Simão Jatene, impede que a insegurança seja tão presente.

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“O governador passa por aqui todos os dias, mas nada impede”, avalia. “A gente tem de viver trancado dentro de casa, porque a violência está muito grande em toda a cidade”, destaca. Com medo de represália, a comerciante Lourdemar Silva, 49 anos, tenta ao máximo não comentar o assunto. Ela não nega, porém, que a insegurança acompanha quem circula por qualquer bairro de Belém. “As histórias chegam e a gente sempre fica com muito medo. Não tem mais lugar seguro”, lamenta.


INSEGURANÇA GERAL

O professor universitário, sociólogo e advogado criminalista Henrique Sauma concorda que a insegurança é generalizada. “Belém não tem mais zona vermelha. Todas as áreas são potencialmente perigosas: em qualquer lugar e em qualquer horário”. Para o especialista, uma série de fatores – que envolvem desde a estrutura precária das seccionais, contingente insuficiente de policiais, até a falta de investimento maciço em prevenção – contribuem para que o cenário seja o de crimes o tempo todo.

Sauma diz que não pode afirmar se as mortes que ocorreram na sexta-feira foram em decorrência ou uma resposta à morte do soldado da Rotam. “Mas na melhor das hipóteses existe aqui uma grande coincidência”, opina.

Família chora morte: "Era o braço direito da nossa mãe"

“Não consigo esquecer aquela cena, de ver meu filho estirado no chão, morto, sem nunca ter feito mal a ninguém”, desabafou a aposentada Maria Salomão Pantoja, 81, mãe de Erisnaldo Pantoja, 37, assassinado na madrugada do último sábado (21), no bairro do Jurunas, em Belém.

Erisnaldo prestava serviço para uma empresa de fogos de artifício do vice-prefeito de Acará, Naldo Damasceno, 39, amigo de infância do rapaz. “Eu jamais falaria se eu não soubesse da índole dele. Infelizmente, ele estava no lugar e na hora errada”, lamenta o político e microempresário.

Na noite da última sexta-feira (20), após um serviço extra de pintura, Erisnaldo retornou para casa e saiu novamente, por volta das 20h, para jogar bola em uma arena no Jurunas. “Pedi para ele não demorar. Vi no jornal que tinham matado um policial. Ele respondeu que não ia demorar”, conta a mãe.

RELATO DO CRIME

Segundo testemunhas, Erisnaldo voltava de bicicleta pela avenida Bernardo Sayão, por volta de meia-noite, quando, de um carro preto, recebeu pelo menos 4 disparos de arma de fogo. A irmã da vítima, Maria Rosinete Pantoja, 50, foi a primeira da família a ver o rapaz morto. “Era o braço direito da nossa mãe, pagava conta, ia à feira, fazia tudo para ela”, pontua.

LUTA POR JUSTIÇA

“Encontrei dentro do mato 3 cápsulas ponto 40 que atingiram meu irmão. E lá tem uma câmera do Centro Integrado de Operações (Ciop). Vamos até o fim para saber quem fez isso com ele”, relata a secretária, explicando que a família pretende procurar a justiça para investigar o caso e levará consigo os projéteis para ajudar nas investigações.

Promotor vê indícios de participação policial nas mortes

Promotor de Justiça Militar do Ministério Público do Estado, Armando Brasil aponta que só o que se tem até o momento são indícios de que a sequência de mortes do final de semana tem relação com o assassinato do PM Rafael Costa. “Há indícios de participação de militares. Só a investigação vai esclarecer os fatos e apontar os possíveis atores”, analisa.

Brasil destaca ainda que, por enquanto, a Promotoria de Justiça Militar não está responsável por investigar o caso. “O Ministério Público só entra no caso de uma solicitação da Polícia ao Procurador Geral”. Caso seja confirmada a participação de policiais militares nas mortes, ficam configurados os crimes de homicídio qualificado e organização criminosa.

CHACINA ANTERIOR

- Em novembro de 2014, após a morte do cabo PM Antonio Marcos da Silva Figueiredo, o Pet, uma onda de assassinatos foi deflagrada em Belém, especificamente nos bairros da Terra Firme, Guamá, Jurunas, Tapanã e Sideral.

- Ao todo, onze pessoas foram assassinadas entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5 de novembro. Os crimes também possuíam características de execução.



Delegado João Moraes, presidente do Sindicato dos Delegados do Pará (Foto: Ricardo Amanajás/Arquivo)

Delegado avalia que chacina é fruto de descaso do Estado

O delegado João Moraes entrou na Polícia em 1991, foi delegado geral entre 1999 e 2001 e hoje é presidente do Sindicato dos Delegados do Pará. Além de analisar os assassinatos em série, no Pará, no último fim de semana, na entrevista a seguir, questiona a situação precária - tanto estrutural como econômica - dos policiais e questiona a forma como as ações do Sistema de Segurança Pública do Estado age, atualmente.

O senhor já tinha visto matança como esta num período tão curto?
Já vi situações parecidas, mas não como esta. E digo que, se omissões persistirem, estas situações vão se tornar rotineiras. Elas normalmente ocorrem quando a estrutura de trabalho fica aquém das necessidades dos agentes públicos de segurança e, por isso, abalam as instituições e levam à falta de motivação dos servidores públicos. Com isso, o sistema passa a realizar apenas o trivial de suas obrigações, já que os esforços coletivos e individuais não são compensados pelos governantes, que ainda lhe retiraram vantagens de lei em plena “crise”. Mas parece que isto não afetou a propaganda nem doações aos clubes de futebol! A verdade é: o Governo do Estado tem de ter mais dinheiro para segurança e menos para propaganda.

Como evitar que policiais virem justiceiros e façam justiça com as próprias mãos?
Necessitamos de condições salariais respeitadas e de estrutura de trabalho muito melhor. Justiceiros não são policiais e, se algum policial tiver seguido para tanto, deixou de ser um dos nossos! Acho que viramos iguais em relação à população, pois já somos também vítimas dos marginais.

O senhor defende a ideia de menos propaganda e mais segurança...
Não só isso! Penso que respeitar lei é obrigação de todos e, infelizmente, nosso atual governador descumpre a lei que melhoraria o olhar de seus servidores para o problema da violência.

Na sua opinião, o que é preciso para que o governo de Simão Jatene reverta este quadro de violência?
Cumprir as leis desrespeitadas das polícias Civil e Militar; acabar com as usurpações de funções no Estado; não contingenciar orçamento da segurança, educação e saúde; convocar concursados, fazer concurso anualmente...

(Cintia Magno, Pryscilla Soares e Mauro Neto/Diário do Pará)

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