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Beile Paraense

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quinta-feira, dezembro 01, 2016

#chape "Eram 11 horas de uma noite que ainda não acabou",diz a repórter Livia Laranjeira.@forcachape

A repórter Lívia Laranjeira, o produtor Fabrício Crepaldi e o cinegrafista Erci Morais, do canal de TV a cabo Sportv, foram os primeiros jornalistas brasileiros a chegar na cidade colombiana de La Ceja, ainda na noite de segunda-feira, poucas horas depois de surgirem informações de que havia acontecido algo errado com o voo que levava o time da Chapecoense para disputar a final da Copa Sul-Americana.

Lívia Laranjeira, repórter do Sportv, vinha acompanhando a Chapecoense na Copa Sul-americana. Na semana passada, ela tirou esta foto na Arena Condá, o estádio da equipe catarinense (Foto: Reprodução/Facebook/Lívia Laranjeira)

A jornalista, que na semana anterior estivera acompanhando o time em Chapecó, contou à BBC Brasil como a esperança de dar ao país boas notícias foi transformada em tristeza profunda.


"Faz 24 horas que começou tudo e só agora há pouco eu chorei de verdade. De cansaço, de tristeza, de consternação. Estávamos (eu, o produtor Fabricio Crepaldi e o repórter cinematográfico Erci Morais) na porta do hotel onde a delegação da Chapecoense ficaria hospedada. E eles chegariam a qualquer instante. Daqui a pouquinho mesmo. Na verdade, até já estavam atrasados, e nós, ansiosos. E aí, um colombiano com sotaque carregado disse alguma coisa sobre "una aeronave sin comunicación con la torre del aeropuerto". São línguas tão parecidas, mas não é possível, acho que eu entendi errado. Eu devo ter entendido errado. Eu tenho que ter entendido errado.


Eu entendi certo. Sem tempo de pensar direito, jogamos as mochilas nas costas e entramos no primeiro táxi que apareceu. Eram 11 da noite de uma noite que ainda não acabou.


Chovia muito em Medellín, e a serra sinuosa que leva ao aeroporto me aterrorizava. Parei de olhar pela janela e olhei pra dentro. Olhei pra mim. As imagens da semana anterior insistiam em pipocar na minha cabeça.


Eu tinha passado uma semana inteira em Chapecó, cobrindo o campeonato brasileiro e a semifinal da Copa Sul-americana. O jogo que garantiu a vaga pra vir a Medellín hoje. Ao longo daquela semana, tomei café da manhã várias vezes ao lado do Caio Junior, no restaurante do hotel. No fim da viagem, fiquei feliz de ver que ele já sabia meu nome, quem eu era, de onde. Ao longo daqueles sete dias, entrevistei ídolos do passado e do presente, e todos eles tinham uma coisa em comum: o maior sorriso do mundo no rosto. Inevitavelmente, a cada entrevista, vinha aquela pergunta: você imaginava que um dia estaria vivendo esse sonho?


Ao longo da última semana, o time queridinho do Brasil virou o meu queridinho. Uma das coberturas mais especiais que eu já tinha feito. Uma das mais importantes. Uma das mais divertidas. Vi um ídolo virar heroi por causa de um gol salvo no último lance da partida. E se aquela bola tivesse passado pelo Danilo? E se aquele gol tivesse entrado?


Mas não entrou. Eu voltei a olhar pela janela, tentando me concentrar. Eu precisava manter a calma, manter o sangue frio. Seria uma cobertura longa, mas eu ainda tinha esperanças de que fosse cheia das boas notícias.


Desistimos de esperar no aeroporto e acabamos indo direto pra um dos hospitais que receberiam os feridos. Diziam que eram vários. Nunca achei que uma notícia sobre "vários feridos" me deixaria tão feliz. Eram vários e eles chegariam logo. Só que pareceu uma eternidade até que a gente ouvisse, lá no fundo, o som de uma sirene, primeiro bem baixinho, depois aumentando aos poucos, até a ambulância surgir na nossa frente. Era Alan Ruschel. Era um primeiro jogador que tinha sobrevivido.


Ao longo de toda a madrugada, as informações se desencontravam. Quem eram os sobreviventes? Qual era o estado de cada um? Tudo parecia extraoficial. Como repórter, meu maior medo era errar uma informação tão importante como a morte de alguém no ar. Preferi ser cautelosa, só falar mesmo sobre o que estava confirmado, mesmo que parecesse pouco. Pensei muito naquelas famílias. Nas mulheres que tinham ficado naquela cidade que me recebera tão bem na semana anterior. Pensei no quanto elas deviam estar desesperadas por qualquer informação, e como eu podia ser o único caminho naquele momento.


Me emocionei pela primeira vez quando vi colombianos fluentes em português chegando ao hospital para ajudar com eventuais traduções. Me emocionei pela segunda vez quando vi uma repórter colombiana chorando. A terceira vez foi quando chegou uma moradora da região em que nós estávamos com uma bandeja com café e chá. Depois disso, perdi a conta.

Continuo me emocionando a cada instante. Lembro dos sorrisos que vi nesses últimos dias, e queria guardá-los daquele jeito na minha memória, mas a imagem do acidente insiste em se sobrepor. Acho que vai passar, que depois de um tempo as lembranças boas vão ser mais fortes. Eles merecem ser lembrados daquele jeito, como o time que já tinha conquistado todo o Brasil, que podia ter conquistado a América dentro de campo, e que agora, conquistou o mundo inteiro."

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